A crise silenciosa que assombra os bastidores da Secretaria de Estado de Justiça de Rondônia (SEJUS) acaba de ganhar contornos ainda mais graves e alarmantes neste ano eleitoral. Longe dos olhares da sociedade, o clima de medo entre os policiais penais e servidores da pasta expõe uma estrutura de perseguição política que, segundo graves denúncias, possui um comando muito bem definido no topo da hierarquia. De um lado, o Secretário de Estado da Justiça, Marcus Castelo Branco Alves Semeraro Rito, utiliza a força de sua caneta para assinar atos, despachos e portarias que dão a diretriz da pressão administrativa. Do outro, a execução implacável dessas ordens dentro das unidades prisionais e nos corredores da secretaria fica a cargo do diretor-geral da Polícia Penal, Célio Luiz de Lima. A insatisfação, que já havia transbordado com as mudanças abruptas de escalas e a reabertura sistemática de processos antigos para retaliar opositores, revela agora a montagem de um verdadeiro curral eleitoral erguido com a coerção e o desespero dos servidores.
As novas denúncias apontam para um esquema ostensivo de assédio e pressão direcionado, sobretudo, aos ocupantes de Cargos Comissionados (CDS) e Funções Gratificadas (FG). O recado repassado a esses profissionais, tanto nos corredores da administração central em Porto Velho quanto nas unidades do interior, é direto e sem qualquer pudor: a manutenção de seus cargos está condicionada à participação obrigatória em atos de campanha. O maquinário público estaria sofrendo um severo desvio de finalidade para obrigar esses trabalhadores a darem “volume” e lotarem os comitês políticos. O principal beneficiário dessa mobilização forçada seria o pré-candidato Adaílton Fúria, de quem o diretor-geral Célio é apoiador declarado e descarado.
A tática para simular força política não se restringe aos limites da capital. Relatos estarrecedores indicam que servidores comissionados estão sendo escalados para integrar verdadeiras “caravanas da coação” rumo a diversos municípios do interior. A missão imposta a eles é estritamente eleitoral: engrossar passeatas, encorpar aglomerações e forjar um apoio popular massivo que, na realidade, existe apenas sob a mira da demissão. O custo logístico e financeiro desses deslocamentos frequentemente recai sobre o próprio bolso dos servidores, que se veem obrigados a viajar por puro medo de que qualquer ausência seja interpretada como deslealdade, resultando em uma exoneração sumária. Em Porto Velho, o cerco é igualmente asfixiante. A presença em agendas noturnas e reuniões de fins de semana nos comitês transformou-se em uma exaustiva e obrigatória extensão da jornada de trabalho.
Enquanto a caneta do Secretário Marcus Rito legitima a reabertura de sindicâncias e Processos Administrativos Disciplinares (PADs) retroativos para intimidar quem ousa discordar, o braço forte de Célio age no dia a dia para garantir que as plateias políticas estejam sempre cheias, mesmo que compostas por rostos amedrontados. A prática escancara possível improbidade administrativa e claro abuso de poder político, asfixiando a liberdade de consciência da categoria. E enquanto a gestão concentra todas as suas energias na manutenção desse projeto de poder, o sistema penitenciário de Rondônia padece com a falta de efetivo e a precarização, sendo sustentado aos trancos e barrancos por profissionais que sequer têm o direito de realizar plantões extras sem sofrer retaliações. Diante de um cenário de opressão tão bem orquestrado, o apelo da tropa ecoa por socorro, aguardando que o Ministério Público e o Governador Marcos Rocha tomem providências urgentes contra aqueles que transformaram a SEJUS em um feudo político.