Marcos Rogério (PL) ainda é senador, mas o voto já o fez governador de Rondônia. Foi eleito em 4 de outubro, no primeiro turno, com cerca de 57% dos votos válidos, segundo o TSE. Tomará posse em janeiro de 2027 e terá uma folha de problemas à espera. Dezenove dias depois, porém, o que a imprensa registra é que ele mandou o PL pedir ao TRE-RO a lista de seções que votaram depois das 16h no segundo turno presidencial, quantos eleitores votaram nesse intervalo e como a Justiça Eleitoral executou a decisão do ministro Zanin que prorrogou o horário.
O requerimento fala em transparência. O efeito prático é outro: manter acesa a desconfiança sobre a Justiça Eleitoral numa eleição em que o próprio Marcos Rogério já está eleito, sem segundo turno e sem nada a contestar no próprio pleito. O partido diz não trabalhar com “especulações”, mas um pedido que dissecou seção por seção, município por município, o voto de quem chegou depois das 16h só cumpre essa função se houver a expectativa de achar algo. Se há ilegalidade concreta, que se apresente a prova. Se não há, o que sobra é palanque.
Rondônia não tem o luxo de ter seu governador eleito dedicado à guerra nacional de narrativas. As pautas do estado, como segurança pública, saúde, estradas, energia e o equilíbrio das contas, não esperam o fim das disputas ideológicas de Brasília. O eleitor rondoniense deu a Marcos Rogério uma votação expressiva justamente para que governe. Ela não serve de combustível para a militância permanente.
Cabe agora a maturidade política e pessoal de largar o figurino de oposicionista de plenário. Quem vai administrar um estado precisa de pontes com o Judiciário, com a Assembleia e com a União. Cada pedido de bastidor para insinuar suspeita sobre instituições com as quais terá de conviver por quatro anos desgasta a própria autoridade que ele vai precisar para governar. O bolsonarismo de trincheira rende aplausos nas redes e não resolve o problema de ninguém em Porto Velho, Ji-Paraná ou Vilhena. Governar exige pragmatismo, e o eleitor tem o direito de cobrar que o governador eleito comece a agir como tal antes mesmo da posse.
O outro lado: aliados do governador eleito respondem que pedir dados oficiais sobre uma decisão excepcional, que mudou o horário de votação no dia da eleição, é fiscalização legítima e dentro da lei. Lembram que o requerimento foi protocolado pelo advogado eleitoral do partido, que o PL diz buscar apenas documentos verificáveis, e que o pedido não impede Marcos Rogério de montar a transição. Ele também tem a legitimidade de um mandato obtido sem segundo turno.
Sources: Agora PVH, TSE, Agência Brasil via Acessa.com